Transtorno afetivo bipolar: o que é, como é diagnosticado e como se trata
- Dra. Lorena Dornellas

- 30 de mar.
- 3 min de leitura
Por Dra. Lorena Dornellas — Médica Psiquiatra, CRM 63147
Transtorno bipolar não é 'mudança de humor'. Não é sensibilidade excessiva. Não é personalidade difícil.
É uma condição psiquiátrica com base neurobiológica, caracterizada por fases de euforia intensa alternadas com fases de depressão profunda. E tem um dado que poucos sabem: o tempo médio entre o primeiro episódio e o diagnóstico correto é de cerca de 9 anos.
Esse atraso acontece porque o transtorno bipolar é frequentemente confundido com depressão. A prevalência mundial é de aproximadamente 2,4%, segundo a OMS. No Brasil, estimativas apontam na mesma direção.
O que é a fase de mania
A mania é o que diferencia o transtorno bipolar de outros transtornos de humor. É um período em que a pessoa fica com o humor muito elevado ou muito irritado, com muita energia, dormindo pouco sem sentir cansaço, com pensamentos acelerados, falando muito, cheia de projetos e ideias.
Parece ótimo de fora. Às vezes a própria pessoa se sente muito bem nessa fase. O problema é o que vem junto: decisões impulsivas, gastos excessivos, comportamentos de risco que depois trazem consequências sérias. E o que vem depois: a fase depressiva.
A fase depressiva
Os episódios depressivos no transtorno bipolar se parecem muito com a depressão comum, o que é um dos motivos principais do diagnóstico tardio. Tristeza profunda, falta de energia, perda de interesse nas coisas, dificuldade de concentração, sentimento de inutilidade.
A diferença é que, no transtorno bipolar, se essa depressão for tratada com antidepressivos comuns, pode piorar o quadro ou desencadear uma fase de mania. Por isso o diagnóstico correto é tão importante: o tratamento é diferente.
O risco de suicídio no transtorno bipolar é elevado. Cerca de 34% das pessoas com transtorno bipolar tentam suicídio ao longo da vida. Isso reforça a importância de diagnóstico correto e acompanhamento contínuo.
Como o diagnóstico é feito
O diagnóstico é clínico, feito por um psiquiatra através de entrevista e levantamento de histórico. Não existe exame que confirme transtorno bipolar.
O maior desafio é que muitas pessoas chegam ao consultório em fase depressiva e não contam sobre os períodos de euforia anteriores, seja porque não os reconhecem como sintoma, seja porque esses períodos pareciam bons. O psiquiatra precisa perguntar ativamente sobre essas fases para fechar o diagnóstico com segurança.
Como é o tratamento
O tratamento é de longo prazo. Os medicamentos principais são chamados de estabilizadores de humor, como o lítio, e alguns antipsicóticos. O lítio tem décadas de evidência de eficácia, inclusive para reduzir o risco de suicídio.
A psicoterapia complementa o tratamento, ajudando a identificar os sinais de que uma fase está chegando, a manter a rotina e a melhorar a adesão ao medicamento. A família também precisa entender a condição para poder apoiar sem piorar.
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Perguntas Frequentes
Transtorno bipolar tem cura?
Não existe cura no sentido de que o transtorno desaparece definitivamente, mas é muito manejável. Com tratamento adequado e acompanhamento regular, a maioria das pessoas vive com estabilidade e qualidade de vida.
Como saber se é depressão comum ou transtorno bipolar?
A presença de fases de euforia, mesmo que breves ou interpretadas como períodos bons, é o principal diferencial. A avaliação psiquiátrica investiga esse histórico de forma sistemática.
Posso ter transtorno bipolar e não saber?
Sim. O subdiagnóstico é comum, especialmente no tipo 2, onde a euforia é mais branda e pode parecer produtividade ou animação. O tempo médio até o diagnóstico correto é de cerca de 9 anos.
O lítio é perigoso?
O lítio é um dos medicamentos mais estudados da psiquiatria, com décadas de evidência de eficácia e segurança. Precisa de exames de sangue periódicos para monitorar os níveis no organismo, mas é seguro quando acompanhado corretamente.
Transtorno bipolar é hereditário?
Tem um componente genético importante. Ter um familiar de primeiro grau com transtorno bipolar aumenta o risco. Mas hereditariedade não é destino. A maioria dos filhos de pessoas com transtorno bipolar não desenvolve a condição.
Este conteúdo é baseado nos critérios do DSM-5 (APA, 2013), no Protocolo Clínico do Ministério da Saúde (CONITEC) para Transtorno Afetivo Bipolar tipo I, e em revisão do NCBI/StatPearls sobre transtorno bipolar (2023).




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