Ansiedade ou transtorno de ansiedade? Quando a preocupação vira um problema
- Dra. Lorena Dornellas

- 30 de mar.
- 3 min de leitura
Por Dra. Lorena Dornellas — Médica Psiquiatra, CRM 63147
Ansiedade é uma resposta normal do organismo. Ela nos prepara para desafios, nos mantém atentos quando há risco real, nos faz estudar antes de uma prova ou se preparar para uma apresentação importante.
O problema começa quando ela deixa de ser proporcional. Quando aparece sem motivo claro, não para depois que o estímulo passa, está presente na maior parte dos dias e começa a controlar o que você faz e o que você deixa de fazer.
Essa é a diferença entre ansiedade normal e Transtorno de Ansiedade Generalizada.
O que define um transtorno de ansiedade
Pelo DSM-5, o Transtorno de Ansiedade Generalizada é caracterizado por preocupação excessiva presente na maioria dos dias por pelo menos seis meses, sobre várias coisas diferentes, e com dificuldade real de controlar essa preocupação.
Para ser considerado um transtorno, precisa vir acompanhado de pelo menos três dos seguintes sintomas: tensão muscular, cansaço fácil, dificuldade de concentrar, irritabilidade, dificuldade para dormir ou sono que não descansa.
E precisa estar atrapalhando sua vida de forma concreta. O transtorno de ansiedade não é 'ser ansioso por natureza'. É uma condição que interfere no trabalho, nos relacionamentos e na qualidade de vida.
Como aparece no dia a dia
A pessoa com transtorno de ansiedade generalizada se preocupa com muitas coisas ao mesmo tempo: saúde, dinheiro, trabalho, família, situações que provavelmente nunca vão acontecer. Quando um tema se resolve, outro ocupa o lugar. A preocupação não tem endereço fixo.
No corpo, isso aparece como tensão muscular frequente, dores de cabeça, problemas digestivos, dificuldade de dormir. Muitas pessoas chegam ao consultório depois de anos consultando cardiologistas, gastroenterologistas e neurologistas, sem encontrar causa física para os sintomas.
No comportamento, aparece como evitar situações de incerteza, adiar decisões por medo do que pode dar errado, precisar checar tudo várias vezes para se sentir seguro.
Por que demora tanto para ser diagnosticado
Porque a preocupação excessiva raramente é reconhecida como sintoma. A pessoa, e as pessoas ao redor, costumam interpretar como 'jeito de ser', 'perfeccionismo' ou 'excesso de responsabilidade'. O próprio paciente frequentemente só percebe que algo estava errado depois que começa a melhorar com o tratamento.
O tratamento funciona
A psicoterapia cognitivo-comportamental é a abordagem com mais evidência para o transtorno de ansiedade generalizada. Trabalha os padrões de pensamento que alimentam a preocupação e desenvolve estratégias concretas para tolerar a incerteza sem entrar em espiral.
Em casos mais intensos, o medicamento é indicado e faz diferença. Os antidepressivos usados para ansiedade têm boa resposta documentada e não causam dependência quando usados corretamente.
O objetivo do tratamento não é parar de se preocupar completamente. É recuperar a capacidade de viver sem que a preocupação esteja no comando.
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Perguntas Frequentes
Qual a diferença entre ansiedade normal e transtorno de ansiedade?
A ansiedade normal é proporcional ao motivo e passa quando o motivo se resolve. No transtorno, a preocupação é excessiva, difícil de controlar, está presente na maioria dos dias por pelo menos seis meses e não se concentra em um único tema.
Transtorno de ansiedade tem tratamento?
Sim. A terapia cognitivo-comportamental tem resultados comprovados. Em casos mais intensos, a combinação com medicamento aumenta a eficácia.
Quanto tempo o tratamento leva?
Varia. Protocolos de terapia para ansiedade generalizada têm eficácia documentada em 12 a 20 sessões. O medicamento pode ser necessário por meses a anos, dependendo da gravidade.
Posso ter transtorno de ansiedade e não saber?
Sim. Muitas pessoas vivem anos com o transtorno sem diagnóstico, achando que é jeito de ser. O alívio que vem com o diagnóstico correto e o tratamento costuma ser significativo.
Ansiedade pode causar sintomas físicos?
Sim. Tensão muscular, dores de cabeça, problemas digestivos, palpitações e fadiga são manifestações físicas muito comuns de transtornos de ansiedade. Quando os exames não encontram causa física, a saúde mental merece ser investigada.
Este conteúdo é baseado nos critérios diagnósticos do DSM-5 (APA, 2013) para Transtorno de Ansiedade Generalizada e em revisões de literatura sobre eficácia de tratamentos para transtornos de ansiedade.



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