Ansiedade na gravidez: o que é normal e quando buscar ajuda
- Dra. Lorena Dornellas

- 30 de mar.
- 3 min de leitura
Por Dra. Lorena Dornellas — Médica Psiquiatra, CRM 63147
Não existe gestante sem ansiedade. Preocupação com a saúde do bebê, com o parto, com as mudanças que virão. Isso é normal e faz parte.
O que não é normal é quando essa preocupação não para. Quando ela ocupa a cabeça na maior parte do dia, impede de dormir, trava decisões simples e não passa mesmo quando não tem motivo concreto para continuar.
Existe uma diferença real entre a ansiedade comum da gravidez e um transtorno de ansiedade. E entender essa diferença pode mudar como você cuida de você.
O que é esperado sentir
Insegurança com a nova fase. Medo do parto. Preocupação com o bebê. Expectativa quanto aos preparativos do enxoval. Esses sentimentos são esperados diante de uma mudança que é, de fato, enorme.
A diferença é que eles vêm e vão. Não dominam o dia inteiro. Não impedem de trabalhar, dormir, se relacionar ou comparecer às consultas de pré-natal.
Quando passa a ser um problema
Quando a preocupação está presente na maior parte dos dias por semanas seguidas, quando não passa mesmo sem motivo, quando vem acompanhada de insônia persistente, tensão muscular, dificuldade de concentração ou irritabilidade intensa, o quadro pode ser um transtorno de ansiedade.
Estudos brasileiros mostram que cerca de 27% das gestantes têm sintomas de ansiedade, com maior frequência no terceiro trimestre. Isso significa que é muito mais comum do que parece, e que você não está sozinha se está passando por isso.
Outros sinais que pedem atenção: crises de pânico com coração acelerado e falta de ar; pensamentos perturbadores sobre machucar o bebê que você não quer ter e que causam horror em você mesma; evitar sair de casa ou ir ao médico por medo.
Por que cuidar disso importa
Muitas gestantes resistem a buscar ajuda porque têm medo de prejudicar o bebê com qualquer tipo de tratamento. É um medo compreensível.
Mas o que a ciência mostra é que a ansiedade intensa sem tratamento também afeta a gestação. Gestantes com ansiedade não controlada têm mais complicações no parto e filhos com maior risco de problemas de comportamento nos primeiros anos de vida.
Cuidar de você é cuidar do bebê. Não é egoísmo. É responsabilidade.
O tratamento existe e não precisa envolver remédio
Em muitos casos, o acompanhamento psicológico resolve sem nenhuma medicação. A terapia cognitivo-comportamental tem resultados comprovados para ansiedade na gestação.
Quando o quadro é mais intenso, existem medicamentos com bom histórico de segurança em gestantes. A decisão é sempre tomada junto com a paciente, com explicação clara dos riscos e benefícios de cada caminho.
👉 Agende sua consulta: www.lorenadornellas.com | (31) 98476-7549
Perguntas Frequentes
Posso consultar uma psiquiatra durante a gravidez?
Sim. Não só pode como deve, se estiver sentindo que algo não vai bem. A consulta psiquiátrica na gestação é adaptada para esse momento, levando em conta o que pode e o que não pode ser feito.
A ansiedade pode machucar o bebê?
Ansiedade leve e passageira não causa dano. Ansiedade intensa e persistente sem tratamento está associada a mais complicações na gestação e no desenvolvimento do bebê. Tratar a mãe é proteger o bebê.
Terapia resolve a ansiedade na gravidez?
Em muitos casos, sim. A terapia cognitivo-comportamental tem resultados comprovados para ansiedade durante a gestação e não envolve nenhum medicamento.
O que é TOC perinatal?
É quando pensamentos perturbadores, por exemplo, sobre machucar o bebê aparecem repetidamente, mesmo que você não queira ter esses pensamentos e fique horrorizada com eles. Isso não significa que você vai agir sobre eles. É um transtorno tratável, e a psiquiatra sabe reconhecer e cuidar disso.
A Dra. Lorena atende gestantes online?
Sim. Atendo gestantes online de qualquer cidade do Brasil, além do atendimento presencial em Belo Horizonte, no bairro Santo Agostinho.
Este conteúdo é baseado no estudo de Silva MMJ et al., Revista da Escola de Enfermagem da USP (2017), nos critérios diagnósticos do DSM-5 (APA, 2013) e em revisões da literatura sobre saúde mental perinatal.




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