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Insônia e saúde mental: quando a dificuldade de dormir é sinal de algo mais

  • Foto do escritor: Dra. Lorena Dornellas
    Dra. Lorena Dornellas
  • 30 de mar.
  • 4 min de leitura

Por Dra. Lorena Dornellas — Médica Psiquiatra, CRM 63147


A queixa de insônia é uma das mais comuns no consultório de psiquiatria. E nem sempre vem sozinha.

Muita gente chega pensando que o problema é o sono. Que se conseguir dormir, tudo melhora. Às vezes isso é verdade. Mas em muitas situações, a dificuldade de dormir é o primeiro sinal de algo que merece atenção: um transtorno de ansiedade, uma depressão que está começando, um transtorno afetivo bipolar.

A relação entre sono e saúde mental é uma via de mão dupla. A insônia piora a ansiedade e a depressão. E a ansiedade e a depressão pioram a insônia. Quando esse ciclo se instala, tratar só o sono muitas vezes não resolve.


O que é insônia, clinicamente

Insônia não é simplesmente não conseguir dormir uma noite. É a dificuldade persistente para adormecer, manter o sono ou acordar muito cedo sem conseguir voltar a dormir, mesmo quando as condições para dormir estão adequadas, e que causa prejuízo no funcionamento durante o dia.

Estudos mostram que a prevalência de insônia crônica entre adultos oscila entre 9% e 12%. No consultório, ela se apresenta de formas diferentes: há quem demore horas para conseguir dormir, há quem acorde várias vezes durante a noite, e há quem abra os olhos às quatro da manhã com a mente a mil e não consiga mais fechar.


A insônia que vem da ansiedade

Quem tem ansiedade conhece bem esse cenário: a hora de deitar vira a hora em que a cabeça acelera. Os pensamentos não param. O corpo está cansado, mas a mente não desacelera. É difícil relaxar o suficiente para adormecer.

Durante a noite, o sono costuma ser leve e interrompido. A pessoa acorda com qualquer barulho, permanece em estado de alerta, e muitas vezes começa a se preocupar com a própria dificuldade de dormir, o que alimenta ainda mais a ansiedade.


A insônia que vem da depressão

Na depressão, o padrão de sono costuma ser diferente. É comum dormir sem dificuldade, mas acordar muito cedo, horas antes do despertador, com uma sensação pesada que não passa.

Também pode acontecer o oposto: dormir em excesso e mesmo assim sentir-se exausto. Nos dois casos, o sono não cumpre sua função de recuperação.

A insônia é descrita na literatura especializada como o maior fator de risco tratável para depressão na idade adulta. Isso significa que tratar a insônia precocemente pode, em muitos casos, prevenir o desenvolvimento de um quadro depressivo.


A insônia como sinal de outros transtornos

Alterações de sono também aparecem em outros transtornos mentais. No transtorno afetivo bipolar, a diminuição da necessidade de sono, sem que a pessoa se sinta cansada, pode ser um dos primeiros sinais de que um episódio de mania está chegando. No Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), dificuldade para desacelerar e adormecer é queixa frequente.

Por isso, quando a insônia não responde a medidas simples de higiene do sono, vale investigar o que mais pode estar acontecendo.


O que fazer

Medidas de higiene do sono, horários regulares para dormir e acordar, redução de telas antes de dormir e evitar cafeína no fim do dia são orientações válidas e devem ser tentadas. Para muitos casos de insônia leve, funcionam bem.

Quando a insônia é persistente, causa sofrimento significativo ou está claramente ligada a ansiedade, depressão ou outro transtorno mental, o tratamento precisa ir além do sono em si. A Terapia Cognitivo-Comportamental para insônia tem eficácia comprovada. O medicamento pode ser indicado em casos específicos, e a avaliação psiquiátrica ajuda a entender o quadro completo.

Não dormir bem por semanas não é algo para normalizar ou empurrar com o cansaço. É um sinal que merece atenção.



👉 Agende sua consulta: www.lorenadornellas.com  |  (31) 98476-7549



Perguntas Frequentes


Insônia pode ser sintoma de depressão?

Sim. Acordar muito cedo sem conseguir voltar a dormir, ou dormir em excesso sem se sentir descansado, são sinais frequentes de depressão. Em alguns casos, a insônia é o primeiro sintoma a aparecer, antes da tristeza se tornar mais evidente.


E se eu só tiver insônia, sem sentir ansiedade ou depressão?

Insônia pode existir sem estar ligada a um transtorno mental. Mas quando é persistente e não melhora com medidas básicas de higiene do sono, vale uma avaliação para entender o que está por trás. Às vezes a ansiedade está presente de forma mais sutil do que a pessoa percebe.


Remédio para dormir resolve o problema?

Depende do caso. Em algumas situações, o medicamento faz parte do tratamento. Mas se a insônia tem uma causa, como ansiedade ou depressão, tratar só o sono sem tratar a causa costuma trazer alívio temporário. A avaliação psiquiátrica ajuda a definir a melhor abordagem.


A terapia ajuda com insônia?

Sim. A Terapia Cognitivo-Comportamental para insônia tem resultados bem documentados e é considerada tratamento de primeira linha para insônia crônica. Trabalha os pensamentos e comportamentos que mantêm o ciclo da insônia.


Quanto tempo sem dormir bem é motivo de procurar ajuda?

Dificuldade para dormir que persiste por mais de três vezes por semana, durante pelo menos três meses, e que causa prejuízo no seu dia, merece avaliação. Não é necessário esperar chegar ao limite.



Este conteúdo é baseado na publicação Insônia: do diagnóstico ao tratamento (Associação Brasileira do Sono, 2019), em revisão integrativa sobre manejo da insônia na Atenção Primária (RevistaFT, 2024) e nos critérios diagnósticos do DSM-5 (APA, 2013).



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© 2026 por Lorena Dornellas, M.D. Sua saúde mental em foco.

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